O guia definitivo para o Design Thinking

By Lydia Hooper, Nov 17, 2021

design thinking

Na última década, o design thinking parece ter tomado o mundo de assalto. Embora mais pessoas estejam familiarizadas com o básico, sua popularidade também gerou alguma confusão e até polêmica.

Tendo me envolvido neste diálogo por vários anos, estou animado por compartilhar neste artigo tudo o que você precisa saber sobre design thinking para que possa usá-lo de uma forma informada e consciente, se assim o desejar.

Clique para avançar:

O que é design thinking?

Trata-se de um processo prático e não linear de resolução de problemas.

Em essência, esse processo consiste em enfatizar o que é importante na perspectiva das pessoas impactadas pelo problema e pela solução, além de considerar o que é exequível e economicamente viável.

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O design thinking também é uma mentalidade, que enfatiza a empatia, a curiosidade, a criatividade, a colaboração, a ação e a adaptação.

Também enfatiza que, embora essa mentalidade seja inspirada no trabalho de design, não é exclusiva para aqueles que se consideram designers profissionais.

“O design thinking é uma forma de atender as necessidades humanas e criar novas soluções usando as ferramentas e a mentalidade dos profissionais de design. Quando usamos apenas o termo “design”, a maioria das pessoas pergunta o que achamos de suas cortinas ou onde compramos nossos óculos. Mas uma ‘abordagem de design thinking significa mais do que apenas prestar atenção à estética ou desenvolver produtos físicos. O design thinking é uma metodologia. Usando-o, podemos resolver uma ampla variedade de desafios pessoais, sociais e empresariais de novas maneiras criativas.”

David Kelley, Fundador IDEO e Tom Kelley, Parceiro

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Quem usa o design thinking?

Ao longo da última década, o design thinking se tornou mais conhecido e foi aplicado muito além do campo do design.

O conceito tem sido usado para desenvolver novos produtos de saúde, melhorar os serviços governamentais, repensar os sistemas de transporte e enfrentar desafios globais complexos, como insegurança alimentar e educação equitativa.

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Qual é o propósito do design thinking?

O design thinking é conhecido por ser mais eficaz em situações em que os problemas não são bem compreendidos. Também é ideal para promover grandes mudanças transformacionais, em vez de mudanças incrementais do dia a dia.

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Equipes e organizações usam métodos de design thinking para:

  • Compreender melhor as necessidades dos clientes, usuários e pessoas com problemas
  • Aprender e fazer melhorias mais rapidamente
  • Reduzir os riscos associados ao lançamento de novos programas, serviços e produtos
  • Cultivar a aceitação entre as partes interessadas

Como o design thinking é um processo e uma mentalidade, ele abre inúmeras possibilidades para a criação de novas oportunidades.

“O entusiasmo com o design thinking está na premissa de que qualquer pessoa pode aprender a fazê-lo. A promessa democrática do conceito é que, uma vez dominado, qualquer pessoa pode projetar os sistemas, infraestruturas e organizações que moldam nossas vidas”.

Shelley Goldman, Stanford School of Education e Zaza Kabayadondo, Design Thinking Initiative no Smith College

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Fases do design thinking

É importante entender que o design thinking é um processo não linear, o que significa que as fases nem sempre são sequenciais, podem ser executadas em paralelo e muitas vezes se repetem em vários pontos no tempo.

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Dito isso, as pessoas que estão menos familiarizadas com o design podem aprender sobre o processo mais facilmente, começando a trabalhar as fases de maneiras específicas e concretas.

“Designers experientes costumam reclamar que o design thinking é muito estruturado e linear. E para eles, isso certamente é verdade. Mas os gerentes em equipes de inovação geralmente não são designers e não estão acostumados a fazer pesquisas cara a cara com os clientes, mergulhando profundamente em suas perspectivas, cocriando com as partes interessadas, projetando e executando experiências. A estrutura e a linearidade ajudam os gerentes a se ajustarem a esses novos comportamentos… Na maioria das organizações, a aplicação do design thinking envolve sete atividades. Cada uma delas gera um output claro, que a próxima atividade converte em outro output até que a organização chegue a uma inovação implementável. Mas, em um nível mais profundo, algo mais está acontecendo – algo de que os executivos geralmente não estão cientes. Embora ostensivamente voltada para compreender e moldar as experiências dos clientes, cada atividade de design thinking também remodela as experiências dos próprios inovadores de maneiras profundas.”

– Jeanne Liedtka, Harvard Business Review

Confira um resumo das fases, embora possam ter nomes ligeiramente diferentes.

Empatizar

Nesta fase, são realizadas pesquisas para reunir mais informações sobre as pessoas impactadas pelo problema, suas necessidades e desejos, seus pensamentos e comportamentos, etc.

Em vez de apenas olhar para os dados, há uma ênfase em experimentar o que o cliente está vivenciando. É por isso que o design thinking está frequentemente relacionado ao design centrado no ser humano.

As atividades de pesquisa podem incluir grupos focais, entrevistas e observações da vida real.

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Definir

A pesquisa é sintetizada para identificar problemas centrais e oportunidades potenciais para a criação de soluções. Isso geralmente é feito em um grupo e/ou pequenas equipes, o que não apenas ajuda todos a ter as mesmas informações, mas também permite várias interpretações e, portanto, uma compreensão mais profunda.

É importante ressaltar que, às vezes, o problema identificado não é aquele que o grupo pensava que pretendia resolver; ele pode ser diferente, mais amplo ou mais diferenciado do que se pensou originalmente.

Às vezes, essas percepções são resumidas em documentos como mapas de empatia, personas e jornadas do usuário.

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Idealizar

Logo que haja uma definição de problemas e oportunidades específicos, uma equipe começa a fazer um “brainstorming” de ideias, tantas quanto possível. Isso incentiva o pensamento “extravagante” e inovador.

Concentrando-se nas possibilidades em vez das restrições, as equipes são capazes de desafiar o “status quo”.

Muitas vezes, as ideias são registradas em post-its, mapas mentais ou fluxogramas.

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Prototipar

É nesta fase que as ideias começam a ganhar vida. Em vez de se estabelecer e trabalhar com ideias específicas, os protótipos permitem que as equipes experimentem soluções potenciais com baixos investimentos.

Protótipos são representações grosseiras e tangíveis que permitem uma avaliação inicial da viabilidade e outras questões. Criar vários protótipos também permite que as equipes experimentem várias ideias antes de se comprometerem antecipadamente com uma.

Os protótipos podem ser esboços em papel, “storyboards”, maquetes ou outras provas de conceito.

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Testar e repetir

O protótipo é então compartilhado com pessoas reais (clientes, usuários, etc.) para saber se ele realmente resolve o problema e como pode ser melhorado.

Os resultados dos testes podem ser usados para reavaliar e redefinir suposições, como quem é o cliente, quais são os problemas e quais soluções podem atender melhor às suas necessidades.

O aprendizado nesta fase pode ser documentado em apresentações, relatórios ou mesmo infográficos, o que pode ajudar a equipe a lembrar desse aprendizado no futuro.

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A testagem é algo que continua a ocorrer, então o protótipo pode ser refinado com o tempo. A iteração não apenas melhora a produção e os resultados, mas com o tempo também reduz o medo normal da equipe em fazer mudanças.

Implementar

É, neste momento que o design thinking se torna produção de design. O sucesso do design thinking está nos impactos que ele cria e é nessa fase que ele é testado na prática. Normalmente é onde a maior parte do tempo, dinheiro e energia é gasta.

O produto, serviço, programa ou o que quer que esteja sendo criado é lançado ao mundo e a equipe continua a pesquisar, refletir e revisar conforme necessário.

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Design Thinking: críticas e considerações

Embora o design thinking tenha recebido muita atenção e aplausos na última década, certamente não está isento de críticas. Aqui estão algumas perguntas para se ter em mente quando estiver aplicando esta abordagem à solução de problemas.

Quem são os humanos no centro deste design?

O elemento decisivo do design thinking é a primeira fase: empatizar.

Embora a empatia tenha se tornado mais uma palavra da moda, continua sendo uma habilidade rara por causa de sua dificuldade.

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Parte da dificuldade reside no fato de que o poder diminui a empatia e geralmente é algo mais procurado e recompensado. Isso é especialmente relevante porque muitas vezes são as pessoas em posições de poder que procuram usar o design thinking.

O que muitas vezes acontece é que as equipes são amplamente homogêneas e as vozes das pessoas em posições de poder são mais valorizadas. Às vezes, é o designer profissional que tem o privilégio, agindo como guardião que “policia” ou controla o processo e os resultados. Às vezes, é o cliente ou financiador que está centrado no processo, e não os humanos que são mais afetados pelo problema e/ou solução. Esses tomadores de decisão preservam o “status quo”, de acordo com o Harvard Business Review.

Um exemplo é o exercício de design thinking muito comum, conhecido como “Como poderíamos?” Este exercício convida as pessoas na sala a considerarem como podem resolver um problema. Mas a coisa mais empática a fazer, de acordo com o artigo de Tricia Wang para a Fast Company, seria perguntar “Com quem devemos falar?” ou “Por que estamos fazendo isso?”

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É importante lembrar que as ideias geradas e selecionadas não têm garantia de ser sobre o usuário final, cliente ou pessoa afetada, que são o motivo para as criações de design. Embora a promessa do design thinking seja interromper o status quo e até desafiar os preconceitos tradicionais, é preciso mais do que uma lista de fases para que isso aconteça.

O co-design com muitas partes interessadas geralmente requer uma facilitação muito humilde, bem como muito tempo. As equipes precisam ser diversificadas para realmente inovar (o Harvard Business Review tem mais informações sobre como) e as pessoas precisam confiar umas nas outras para se sentirem confortáveis o suficiente para compartilhar ideias ousadas. Isso provavelmente exigirá mais do que design thinking, mas é a melhor possibilidade que as equipes têm de alcançar algumas das aspirações do design thinking.

O design thinking está sendo considerado uma solução definitiva?

O design thinking não é uma panaceia.

Embora tenha sido útil para muitas e variadas situações, não é útil para todas as situações. Não é o método científico, não é análise estatística, não é Six Sigma (melhoria de processos) e não é etnografia, mesmo que extraia alguma influência de cada um deles.

O design thinking é melhor usado para problemas que estão em um ponto ideal entre aqueles com soluções óbvias e aqueles com um alto nível de incerteza, como as mudanças climáticas.

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Mas reconheçamos: atualmente, há muitas incertezas, então é aconselhável considerar como o design thinking pode ser útil, bem como suas limitações. Muitos problemas não podem ser resolvidos simplesmente com mais produtos ou serviços.

A principal coisa a entender é que, como o designer e educador Lee-Sean Huang explica, o design thinking é um meio, não um fim.

Se uma equipe decidir usar essa abordagem, ela deve se comprometer com um processo iterativo que ofereça suporte ao desenvolvimento e implementação de uma solução eficaz. É preciso prática e trabalho contínuos, e a recompensa está em ver os resultados para as pessoas mudarem.

O design thinking está sendo usado como um substituto para um pensamento e engajamento mais profundos?

É tentador para as empresas que procuram inovar rapidamente evitar o verdadeiro trabalho de design thinking. Elas querem criatividade sem caos, o que é como desejar uma horta exuberante sem a chuva (e lama) necessária. Até Michael Hendrix, um parceiro da IDEO, empresa proponente do design thinking, chamou isso de um mero “teatro da inovação”.

O design thinking requer um certo tipo de pensamento crítico, que leva anos de prática devotada para os designers profissionais aprimorarem. É por isso que os designers podem ser guias instrumentais ou facilitadores, mesmo que nunca possam substituir equipes inclusivas e participativas.

A criatividade no design requer alguma habilidade para abraçar a complexidade e admitir humildemente que cada um de nós percebe problemas e soluções usando lentes individuais que são inerentemente pessoais, políticas, culturais e profissionais.

“Esta é a falha fatal do design thinking”, disse o designer Jesse Weaver. “Ele ignora a realidade na qual foi projetado para operar.”

Uma história bem conhecida nas críticas do design thinking é a do PlayPump, uma tecnologia que deveria levar água potável a milhares de comunidades africanas, mas falhou devido a uma compreensão muito superficial da cultura na qual estava inserida (e outros fatores descritos no The New Republic)

Como mencionado antes, é difícil cultivar a inovação sem diversidade, inclusão, confiança e uma “atmosfera criativa”, como afirma o empreendedor e líder comunitário Mohamed Fakihi.

Para as equipes apresentarem ideias ousadas e agirem de acordo com elas, eles precisam sentir que têm a liberdade de falhar, que no meio da ambiguidade sua equipe está protegida, que não há problema em haver bagunça.

Sem esses componentes essenciais da criatividade, o design thinking é apenas mais um dia no escritório, e os resultados certamente serão o status quo.

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Usando design thinking para infográficos

Como mencionado anteriormente, o design thinking é útil para muitas situações e criações, e isso inclui infográficos. Aqui estão algumas ideias de como usar os princípios e práticas do design thinking para comunicar a criação de seus infográficos.

  • Identifique uma questão mais premente que outras pessoas desejam responder e, em seguida, crie um infográfico para respondê-la.
  • Considere a criação de um infográfico centrado em histórias das experiências, opiniões e/ou necessidades das pessoas.
  • Avalie se seu infográfico pode e/ou deve incluir dados, informações, perspectivas ou percepções que você não considerou originalmente.
  • No início do processo, esforce-se para esboçar o máximo possível de layouts diferentes para o infográfico e veja que novas ideias surgem.
  • Antes de aperfeiçoar seu infográfico, compartilhe esboços ou rascunhos com outras pessoas para aprender como torná-los ainda melhores.
  • Pergunte a si mesmo: quem exatamente são os humanos centrados nas histórias do infográfico?
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Resumo

O design thinking é inerentemente centrado no ser humano. Como os humanos são, de alguma forma, parte de todos os problemas e soluções em que estamos interessados, podemos usar seus processos, práticas e princípios para abordar quase todas as situações, mesmo que não sejamos “designers” propriamente ditos.

O que importa é que sejamos críticos e cautelosos quanto à nossa abordagem, para que possamos maximizar a utilidade do design thinking e minimizar nossa inclinação natural para manter o status quo.

O design thinking não é apenas um conjunto de ferramentas, mas um conjunto de habilidades, que precisamos trabalhar para desenvolver ao longo do tempo. É assim que podemos garantir que a transformação realmente aconteça.

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About Lydia Hooper

Lydia Hooper é redatora de design de informações da Venngage. Seus conteúdos sobre visualização de dados e design de informação foram publicados pela Data Visualization Society, UX Collective, SAGE Publishing’s MethodSpace e Evergreen Data. Ela passou mais de quatro anos ensinando pessoas de todas as idades como educadora informal. Lydia também projetou e ministrou workshops para dezenas de organizações, incluindo American Institute of Graphic Arts-Colorado e Rocky Mountain Chapters da Association for Talent Development e da Society for Technical Communication.